Um olhar fraco, débil e cansado. Olheiras carregadas, olhos semi-fechados, expressão apática. O cabelo desgrenhado. Mas quem é esta pessoa que se apoderou do reflexo?
Ela é cansada. Não está, já é uma constante. Não é triste, nem deprimida, essas emoções já quase nem existem. Simplesmente não queria ter acordado.
O dia-a-dia, outro desafio. Ela só queria dormir mais um pouco.
Não era por um sonho bom nem nada que parecesse, aliás, ela não sonhava há uns tempos. Era simplesmente pelo vácuo que era. Ela precisava disso. Precisava de nada.
Um nada sem confusões, um nada sem gritos, um nada sem lágrimas, um nada sem pessoas. Porque no fundo era isto, ela queria desaparecer.
Ela via tudo à sua volta a desmoronar, e isso assustava-a. Queria esconder-se debaixo do cobertor, como fazia em pequena, mas não podia. Manteve-se firme, e deixou tudo cair à sua volta. Deu por si rodeada por ruínas: pessoas, projectos, meses, tudo isto reduzido a pó. Tudo aquilo que lhe parecera tão valioso, de ouro, não passava de plástico.
E foi então que viu. Por baixo das ruínas, quase no fundo, ouro. Família, verdadeiras amizades, até o talento. Pouco, mas valioso. E então ela sorriu, limpou as lágrimas, retribuiu-me o olhar. Abandonámos ambas aquele vidro, voltando eu para a vida real e ela para a minha imaginação.
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